Rodada 21 do Brasileirão :A rodada que não aconteceu e por que isso muda a leitura do rebaixamento

A 21ª rodada do Brasileirão veio pela metade: quatro dos dez jogos foram adiados, e não por acaso são justamente os de quem briga lá embaixo. A Classificação Planejada mostra o retrato possível — e alerta que ele ainda está incompleto.

Toda rodada eu venho aqui traduzir o que a tabela esconde na parte de baixo. Só que a 21ª rodada tem um problema antes mesmo da análise começar: ela não aconteceu inteira.

Dos dez jogos previstos, apenas seis foram a campo. Os outros quatro ficaram para depois — e aqui mora a distorção mais importante da semana: os adiamentos atingiram em cheio a zona de risco. Chapecoense, Vasco, Santos e Grêmio, quatro dos sete times mais ameaçados pela leitura da Planejada, simplesmente não jogaram. O retrato que eu vou te mostrar é o retrato possível. Mas é um retrato com quatro peças faltando — e todas elas na parte de baixo.

Os jogos que aconteceram

Seis confrontos foram disputados na rodada. Estes:

Confronto (mandante x visitante)ResultadoO que a Planejada esperava
Internacional x FlamengoEmpateDerrota do Inter — ponto acima do plano
Mirassol x Clube do RemoVitória do MirassolVitória do Mirassol — plano cumprido
Vitória x PalmeirasVitória do PalmeirasDerrota do Vitória — dentro do previsto
Coritiba x CruzeiroVitória do CruzeiroDerrota do Coritiba — dentro do previsto
Fluminense x BahiaEmpateEmpate — exatamente o esperado
Corinthians x Athletico-PREmpateVitória do Corinthians — ponto perdido

Os jogos que ficaram para depois

E estes quatro, todos adiados — todos com peso direto na luta contra o rebaixamento:

Confronto (mandante x visitante)SituaçãoPor que importa lá embaixo
Chapecoense x VascoAdiadoConfronto direto de dois times na zona de perigo
São Paulo x SantosAdiadoSantos (muito preocupante) perdeu a chance de reagir
Botafogo x GrêmioAdiadoGrêmio (no limite) não pôde afastar o alerta
Atlético-MG x RB BragantinoAdiadoTrava o jogo que o Bragantino usaria para respirar

Repare no padrão: os quatro adiamentos congelaram a situação de quem mais precisava jogar. A rodada seguiu para os times de cima e parou para boa parte dos de baixo.

O que os seis jogos mudaram na parte de baixo

Mesmo pela metade, a rodada mexeu com nomes importantes da briga.

O caso mais duro foi o do Clube do Remo. Visitando o Mirassol, o Remo tinha diante de si o tipo de jogo em que a Planejada exige vitória. Perdeu. E, ao perder onde era obrigação pontuar, despencou para 75% do plano, assumindo isolado o posto de segundo pior da parte de baixo, atrás apenas da Chapecoense. Era exatamente o jogo que o Remo não podia entregar — e entregou.

Do outro lado desse mesmo confronto, o Mirassol fez o dever de casa. A vitória veio dentro do previsto e empurrou o time para 88,5%, confirmando a reação que já vinha ensaiando nas rodadas anteriores. Continua em terreno de atenção, mas subindo — o oposto do adversário que bateu.

O Internacional, que virou personagem desta newsletter por estar muito pior do que a tabela sugere, teve um respiro pequeno. Segurar o empate em casa contra o Flamengo, num jogo em que a derrota era o cenário previsto, rendeu um ponto acima do que o plano pedia e levou o Colorado de volta para os 84,6%. É reação? É. Mas de uma faixa muito baixa: o Inter continua na zona do “muito preocupante”, devendo quatro pontos ao próprio calendário. Um empate contra o líder alivia o discurso, não a situação.

Vitória e Coritiba perderam para Palmeiras e Cruzeiro, respectivamente — mas eram derrotas previstas, contra adversários muito superiores, e por isso nenhum dos dois se abala: seguem acima de 100% do plano, na parte confortável da leitura.

A foto que ainda vai revelar (rodada 21 do Brasileirão)

Junte os seis jogos disputados e o topo da zona de risco fica assim, hoje, pela leitura da Planejada: a Chapecoense segue afundada e sozinha no crítico (43,5%), o Clube do Remo despencou para o segundo pior posto (75%), e logo acima aparecem Internacional e Santos empatados em 84,6%, seguidos de perto por Vasco (88%), Mirassol (88,5%) e um Grêmio no limite (95,7%).

Mas leia esses números com a ressalva que abre este texto: Chapecoense, Santos, Vasco e Grêmio ainda têm um jogo pendente da rodada. A posição deles não é a foto final — é uma pausa. Quando os quatro adiados forem disputados, essa tabela pode mudar de cara, para melhor ou para pior, justamente onde a briga é mais quente.

É por isso que, desta vez, a leitura vem com um asterisco. A Classificação Planejada mostra para onde cada time está indo — mas ela só consegue mostrar o que já foi a campo. E, nesta rodada, uma boa parte da parte de baixo ainda não jogou.

Acompanhe a corrida pela permanência

A tabela completa da luta contra o rebaixamento, com pontos reais, pontos planejados e o saldo de cada clube atualizado a cada rodada, fica em classificacaoplanejada.com.br/rebaixamento-brasileirao.

Para comparar com a tabela oficial do Brasileirão, veja o retrato completo da rodada no ge.globo.

Aqui na newsletter, toda rodada — inteira ou pela metade —, eu traduzo esses números na história que eles contam: quem reagiu, quem afundou e quem ainda vai entrar em campo para decidir o próprio destino. Assim que os jogos adiados acontecerem, eu volto com o retrato completo. Se você quer saber quem está mesmo com um pé na Série B, é só assinar.

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